quinta-feira, 26 de outubro de 2017

ALEGRIA PROVISÓRIA








ALEGRIA PROVISÓRIA

Foto e edição: Rosana Ritzmann


Ouça a quietude do orvalho
Na zoada das abelhas
Ouça a paz na brisa
No embalo do salgueiro
Ouça as nuvens no anil
Esquadrinham as brumas
Em prantos aguados.

E eu, o que ouço?
Ouço a vida pulsante
Em meu peito vibrar
Encontro-me na busca
Da quietude do meu eu.

Onde mora minh’alma viajante?
Nas entranhas dos temores


Na escuridão de paz
Onde brilha a lamparina
Norteia os meus pés inseguros
A rastrear a viela tenebrosa
Para enfim alcançar
A alegria provisória.




Poema: Rosana Ritzmann
Foto: Stanley Park, Vancouver - Canadá 2014
Foto e edição: Rosana Ritzmann

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

InspirAlma - Um sonho é sempre possível até que se prove o contrário







Busco na prosa poética uma forma de expressar o mundo que vejo através das janelas da vida. Em poesia compartilho com os leitores algumas de minhas experiências e impressões sobre diferentes contextos. Sentimentos, conflitos, alegrias que todos nós temos em comum, escritos em poesia para acalentar e confortar leitores que buscam aconchego em suas vivências.
O processo da escrita do livro InspirAlma teve início em 2014 com a criação de uma página no Facebook com o mesmo nome, cujo objetivo era externar emoções e sentimentos envolvendo os relacionamentos. Durante quatro anos coletei centenas de poemas, mensagens e textos sobre diferentes temas.  Hoje a página já tem mais de 1300 seguidores e novos poemas são postados para o segundo livro.
Em 2016 decidi procurar editoras para tornar realidade a publicação do livro. Todo o processo de criação foi pensado para transmitir fluidez e leveza. Cada detalhe foi planejado convidando o leitor a olhar através da janela de sua alma em direção ao mundo e transformar a sua própria realidade.

A autora
A busca pela essência da alma se encontra na criança inventiva, criativa e repleta de alegria que mantenho viva dentro de mim. O prazer pela leitura e pelas histórias se manifestou muito cedo e permanece nas estantes de livros que são meu tesouro. A descendência de suíços é a alma aventureira e cheia de coragem para desbravar o desconhecido.

Novos projetos
Nessa caminhada pelos vastos campos da poesia encontrei a fotografia como pano de fundo. Ao me conectar com a natureza busco elementos para compor imagens onde novos poemas são escritos. O segundo livro terá como tema a infância e a natureza. Deixo aqui uma amostra do que virá em breve.
 


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Tempo de florescer

A semente guarda em si todo o potencial para perpetuar a espécie.
Vela pela vida e pela morte em si mesma.
Esconde a beleza em suas cores e odores.
É o vento que espalha a semente
É o solo que a acolhe
É a água que a tempera
É o sol que a faz desabrochar
Numa grande explosão.
Anunciando a mais bela das estações
Nasce, nutre e pulsa
Como um grande coração
Para dentro, para fora
Busca a energia e traz renovação
Exala as trevas ventando para longe.
Tudo o que há na natureza,
Também existe em nós.
Ancorar a terra nos pés, fincar raízes
Buscar do alto a conexão com o Amor Universal

Nutrir-se, renovar-se e frutificar, deixar levar as sementes para o mundo com a suave brisa primaveril.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

PÁSCOA

CASCAS QUEBRADAS

                        A memória mais antiga que tenho da Páscoa é ter visto através da fechadura, o meu coelho pai andando pelo quintal de casa com uma sacola na mão, escondendo os ovos pelo caminho e em lugares inimagináveis e incansáveis aos bracinhos de uma criança. Podia ver com meus olhos curiosos, a verdade de um sonho de criança. Ovos em sua maioria de galinha, pintados à mão e recheados com amendoim e balinhas de açúcar faziam meus olhos brilharem de felicidade e encantamento. No entanto, a partir daquele buraco da fechadura, a Páscoa nunca mais seria a mesma. E eu me pergunto hoje depois de todos essas Páscoas, o que Jesus quis dizer com as palavras: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. ” João 8:32
                        Levei pouco mais de 8 anos para descobrir que era meu pai quem escondia os ovos na manhã de Páscoa e levei mais 44 anos para me conhecer e compreender a verdade da qual Jesus falava. Revelação sobre a minha essência, quem eu realmente sou e o que vim fazer aqui. Cada ovo encontrado e quebrado me levou mais para perto de Jesus e mais eu pude ver a verdade da qual ele falava. As cascas que me aprisionavam foram quebradas e de dentro delas surgiu um brilho ofuscante que revelou todo o meu potencial e verdade. Haviam cascas de orgulho, tristeza, vergonha, culpa, medo, raiva e dor. Todas elas foram quebradas para dar lugar ao amor, a bondade e a generosidade.
                        Cascas que não se quebram apodrecem e cheiram mal. São cascas mortas. Jesus falou da verdade que liberta do medo, da dor, da culpa, e de todas as outras emoções inerentes a nós seres humanos. Jesus também foi homem, também sofreu com as emoções que fazem parte de nós. Mas ele sabe que essas emoções não nos definem. Ele sabe que é possível conviver com elas de forma harmoniosa. Podemos olhar pelo buraco da fechadura e conhecer a verdade que nos liberta. Podemos ver a luz que irradia de nós quando a vida desponta depois da morte através da Páscoa.  
                      E você, está preparado para quebrar as cascas nesta Páscoa?


segunda-feira, 27 de março de 2017

Mas afinal, o trabalho está para a aposentadoria?

              Mas afinal, o trabalho está para a aposentadoria?


                    Quando meu pai completou 40 anos ele costumava dizer sorrindo que a vida começava ali. Dizia ainda que estava dobrando o cabo da boa esperança. Talvez ele quisesse dizer que finalmente haveria esperança para desfrutar dos anos de trabalho árduo atrás de um balcão de farmácia onde passou grande parte da sua vida tirando o sustento para a família. Ou quem sabe via ali finalmente a possibilidade de se aposentar e aproveitar a vida.
                    A geração baby boom ou pós-guerra, fruto de uma história de escassez, opressão e sofrimento, chegava aos 14 anos e já era considerado um adulto pronto para iniciar a vida profissional como um aprendiz. Se o pai era marceneiro, o filho também seria. Pouco importava o querer, o sonhar, ou qualquer outra manifestação verbal. Cabia ao jovem fazer o que lhe era dito. Era algo implícito, não havia a necessidade de preparação ou diálogo sobre algo tão óbvio. Iniciar a vida adulta aos 14 anos com a carteira assinada e trabalhar durante 35 anos para depois enfim, gozar a vida com a promessa de uma aposentadoria justa e folgada.
                    Vê-se hoje o Brasil passar por uma grande reforma da previdência pública visto que a constatação é óbvia: não haverá receita suficiente para pagar todos os aposentados em poucos anos.  O ajuste não será somente em termos materiais, mas há que se pensar que o trabalho não estará mais para a aposentadoria. Não haverá mais a cenoura da aposentadoria e agora? Estamos atravessando o corredor da mudança e sem a cenoura talvez não haja porque tanto sacrifício. Há que se reformular e buscar novos recursos para compreender finalmente o sentido do trabalho na vida. Qual será a cenoura que atrairá a atual geração?